Economia

Entenda o caso CEEE

Entende a privatização de CEEE distribuidora no Rio Grande do Sul

Nesta quarta feira ocorreu leilão de CEEE distribuidora, empresa pertencente ao grupo CEEE, companhia de energia do estado do Rio Grande do Sul, por 100 mil reais.

Mas porque este valor tão baixo por uma empresa tão importante?

Entenda o caso:

Primeiramente devemos esclarecer que existem duas CEEEs. Em 2006 a CEEE original deu origem a duas empresas distintas:

1 - A Primeira a CEEE GT, responsável pela geração de energia, esta ainda pertence ao Estado do RS e tem seus negócios separados da segunda CEEE.

2 - A segunda, a CEED, ou CEEE distribuição, que por sua vez é responsável pela distribuição de energia elétrica em algumas regiões do estado gaúcho.

Esta segunda empresa, a CEED, é a empresa que foi leiloada por 100 mil reais.

O leilão aconteceu na manhã de quarta feira, dia 31/03/2021 e apenas uma única empresa, a Equatorial Energia, deu lance para compra.

Para entender melhor, precisamos do histórico.

Em resumo, nos anos 50 a CEEE era uma autarquia, tipo de instituição pública que reúne poder sobre setor específico (como a CVM, que manda no mercado de capitais).

Durante o governo Brizola ela se tornou uma sociedade mista, parte da empresa foi transformada em ações e vendidas ao mercado (hoje você encontra as ações de CEEED na bolsa de valores com o código CEED3 e CEED4), entretanto uma serie de benefícios de seus servidores foram mantidas. Nos anos 1980 os custos desses benefícios foram impedidos de serem repassados para as tarifas de luz, o que acabou gerando um grave problema de fluxo de caixa.

Aliado a má gestões durante anos, a empresa foi acumulando dívidas atrás de dívidas, principalmente com o próprio Estado.

Nos últimos anos a ANEEL, agencia reguladora do mercado de energia, visando uma melhor conduta das empresas do setor em acordo com normas de sustentabilidade internacionais, criou uma série de metas de qualidade e sustentabilidade que estavam difíceis de serem cumpridas pela CEEED, o que poderia acarretar em perda da concessão para distribuir energia no Rio Grande do Sul.

Sob esse quadro e aliado à pandemia de COVID19, o governo do estado do RS declarou que era impossível que houvessem novos investimentos na empresa, que já deve cerca de 4 bilhões em ICMS ao próprio estado gaúcho, para que esta atendesse as demandas da ANEEL. A privatização foi a saída encontrada.

Nesta operação, parte da dívida de ICMS foi perdoada pelo estado, parte dela será paga pela empresa compradora (cerca de 2 bilhões da dívida), a Equatorial (que na bolsa é negociada pelo código de EQTL3).

Segundo o balanço patrimonial de CEEED (empresas que abrem capital na bolsa são auditadas por várias auditorias independentes e obrigadas a liberar seus dados financeiros), a empresa possui uma receita líquida (12 meses) de 3,5 bilhões, porém seu lucro líquido (Receita menos os custos) é de -1,6 bilhões (negativos). O Valor por ação da empresa é -590 reais por ação (negativo), e seu patrimônio liquido é de negativos 5,7 bilhões de reais.

É por essa razão que a CEEED foi leiloada pelo valor simbólico de 100 mil reais.

Pelo lado da Equatorial, ela observou uma oportunidade de mudar a gestão da empresa, torná-la mais eficiente, justamente porque ela é uma empresa geradora de caixa. O problema não é a receita e sim a eficiência e o custo altíssimo da empresa.

Além disso, para uma distribuidora, o mercado da CEEED é bastante concentrado, sendo que cerca de 60% de sua receita é obtida na região metropolitana de Porto Alegre, o que é bom para quem realiza distribuição com linhas de energia: não há tantas linhas espalhadas para se administrar.

No dia do leilão as ações de CEEED (CEED3) subiram mais de 25% fechando cotadas a R$ 76,81 cada, com expectativa de uma empresa mais saudável no futuro, capaz de gerar mais valor para seus acionistas.

As ações de Equatorial (EQTL3) subiram cerca de 8%, fechando em R$ 24,80 cada.

B3, Red Ridge Research, RI Equatorial
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