Investimentos

Small caps: o que são e por que conhecê-las

Small Caps, alternativa aos ativos tradicionais

DISCLAIMER: Todas as informações deste post tem objetivo informativo e não constituem em nenhuma hipótese recomendação de investimento de qualquer natureza.


O mercado de valores brasileiro sempre foi marcado pela negociação de empresas com alto valor de mercado, as chamadas blue chips, que são empresas bastante conhecidas no nosso dia-a-dia pela sua envergadura de mercado, como as mais reconhecidas Itaú Unibanco (ITUB3 e ITUB4), Vale (VALE3), Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC3 e BBDC4), Petrobras (PETR3 e PETR4), Ambev (ABEV3), etc., que são as principais componentes do nosso índice Ibovespa, medido pelo volume de negociação das empresas em bolsa.


Só que essas grandes empresas não são as únicas oportunidades de investimento: o mercado oferece, ao investidor, além destes, outros ativos de menor captação de mercado, que tem suas particularidades. Conheça mais sobre elas:


O que são small caps


Empresas de menor porte cotizadas em Bolsa são conhecidas como small caps, termo que vem da menor capitalização de mercado dos ativos em questão. E o que é a capitalização de mercado? Ora, nada mais que o valor de mercado da companhia, ou seja, quanto a empresa vale atualmente, dado este que é calculado através da multiplicação da quantidade de ações pelo valor de cada uma dela:


Valor de Mercado = Número de Ações x Preço da Ação


Todas as empresas possuem um determinado valor de capitalização de mercado, entretanto, em companhias não-listadas (isso é, não cotadas em Bolsa) o cálculo desse valor é mais complexo, visto que são ativos com menor liquidez de mercado. Já nas companhias negociadas na B3, o cálculo desse valor é bem mais simples.


Mas voltando as small caps: qual capitalização de mercado pode defini-las? Essa informação não é tão precisa, visto que existem diferentes interpretações de como categorizar os ativos financeiros. No Clube Monticano adotamos uma visão mais generalista, dividindo o mercado em 4 categorias (blue chips, mid caps, small caps e micro caps) e caracterizando as small caps como empresas que tem entre R$ 1 e R$ 10 bilhões de valor de mercado.


Muitas vezes, a ideia que temos de small caps são de empresas que tem menor consolidação de mercado e que tem mais risco envolvido em suas operações, por consequência. Apesar de isso poder ser verdade, muitas empresas que são consideradas small caps são companhias bastante conhecidas do grande público, ao menos em uma determinada região do Brasil. Por exemplo, dentro da nossa caracterização podemos identificar ativos como: as lojas C&A (CEAB3), as indústrias metal-mecânicas Mahle-Metal Leve (LEVE3) e Randon (RAPT3 e RAPT4), a construtora JHSF (JHSF3), entre outros ativos conhecidos pelo mercado.


O importante, ao investir em small caps, é entender com profundidade quais são as particularidades desse tipo de ativo, compreendendo quais os vieses envolvidos nos mesmos, como apresentaremos abaixo.


Particularidades desses ativos


1) Menor liquidez e maior volatilidade


Como são ativos com menor capitalização de mercado, as small caps tem menor liquidez de mercado, tendo menor volume de negociação e, portanto, um determinado gap entre os preços nas ofertas de compra e venda. Essa menor liquidez dificilmente impacta a entrada em ativos, mas é um grande impedimento na saída dos mesmos caso as teses de investimento se mostrem infrutíferas, o que dificulta a venda das posições, principalmente se essas forem de maior escala.


A falta de liquidez faz também com que os ativos tenham uma maior volatilidade, sentindo em maior grau momentos tanto de euforia quanto de desespero no mercado, visto que a sua menor liquidez implica em maior risco ao investir. Assim, em momentos de desespero as small caps geralmente são alguns dos primeiros ativos a serem vendidos pelos investidores e fundos; do mesmo modo, em momentos de euforia, como essas empresas são as com maiores possibilidades de crescimento, se tornam as "queridinhas" do mercado. Por consequência, além de menor liquidez, esses ativos tem maior volatilidade.


2) Menos informações qualificadas, logo, menos transparência


Naturalmente, por serem ativos com menor volume de negociação, geralmente menos profissionais, sejam de bancos ou de casas de análise, acompanham esses ativos, tornando muitas vezes ser mais difícil obter informações precisas sobre esses ativos, demandando uma maior quantidade de atenção do investidor e também uma análise mais detalhada de seus balanços.


Por contarem com menor "vigilância" do mercado, no fim small caps podem ser menos transparentes com os seus investidores, usando subterfúgios para a confecção dos seus balanços - o que impacta na análise de resultados, visto que a transparência é importante para que os resultados de fato sejam similares aos resultados declarados.


3) Fora do radar de grandes fundos


Muitos fundos, por terem em suas diretrizes o investimento apenas em ações mais líquidas, tem restrições ao investimento em small caps, justamente porque se tornaria difícil diminuir posição nas mesmas sem afetar os seus preços (e logo, os resultados do fundo com as mesmas).


Fundos estrangeiros que investem em Brasil, principalmente, estão de olhos em ações mais líquidas, deixando muitas small caps de fora do seu radar. Também existem regras em outros fundos, como fundos de pensão e fundos previdenciários, que por terem objetivos específicos, não podem alocar a maior parte do seu capital nesse tipo de ativo.


4) Incerteza e possibilidade de crescimento


Como são empresas que ainda não atingiram uma dominância de mercado, ao contrário das blue chips, as small caps tem um futuro com maior incerteza quanto relacionadas à estas. Isso se deve tanto à capacidade de expansão quanto à maior competição nos mercados em que atuam. Nesse sentido, as small caps, mesmo que tenham mais risco, tem também mais possibilidade de retorno, visto que ainda tem bastante espaço para crescimento e geração de lucros, fatores que impactam o valor de mercado das companhias.


Muitas das que são hoje blue chips já foram cotizadas como empresas de menor porte que cresceram ao longo do tempo e que geraram retornos excepcionais aos seus cotistas. Cabe ao investidor tentar identificar essas oportunidades, através de uma detalhada análise de fundamentos, valor gerado e modelagem financeira!

Texto Original Publicado por

Artur Ceolin

Doutor em Economia pela universidade Rey Juan Carlos

Autor
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